Consciência ou Conveniência? Quando a fraude começa a ser relativizada no mutualismo da saúde

No Brasil, é comum ouvirmos que vivemos em um país de fraudes generalizadas. O problema é que uma minoria, ao praticar abusos, acaba criando a falsa impressão de que a fraude é norma.

Um exemplo recorrente nos planos de saúde com reembolso para consultas: pedir dois recibos para uma única consulta, em datas diferentes, para aumentar o valor reembolsado.

Na essência, é algo bastante simples de entender: equivale a entrar em uma farmácia, colocar um produto no carrinho e outro na bolsa. O ambiente pode ser mais sofisticado, mas a natureza do ato não muda.

As justificativas aparecem rapidamente:

“o plano é caro”,

“o médico cobra muito”,

“o reembolso é baixo”.

Mas se há insatisfação, existem alternativas legítimas: negociar honorários, escolher outro profissional ou contratar um plano com reembolso mais adequado. Afinal, a escolha do médico e do plano é pessoal. A justificativa nunca pode ser a fraude.

Também é comum ouvir: “uso pouco o plano, então preciso compensar”. Essa lógica não se sustenta. Seria como ir a um restaurante de buffet com preço fixo, comer quatro pratos e ainda preparar uma marmita para levar para casa.

Vale outra reflexão: se o custo é uma preocupação relevante, talvez faça sentido optar por um plano hospitalar, focado em grandes despesas médicas. Isso reduz o custo do seguro e evita dilemas éticos como esse.

O sistema de saúde suplementar funciona com base no mutualismo: os saudáveis ajudam a financiar os custos dos enfermos. Quando abusos passam a ser relativizados, o impacto não recai apenas sobre empresas ou seguradoras,  ele pressiona custos e compromete o equilíbrio de todo o sistema.

Como profissional com mais de 30 anos de atuação nesse mercado,  tenho  postura questionadora, buscando soluções mais eficientes, transparentes e sustentáveis.

Sistemas complexos não entram em colapso apenas por grandes fraudes. Eles se deterioram lentamente quando pequenas fraudes passam a ser toleradas.

 

O mutualismo depende de confiança.

E confiança começa com consciência

 

Como ampliar a consciência do usuário ?

 

Luiz Eduardo Halembeck
Sócio | Halembeck Seguros | Privilege Care
A diferença entre ter seguro e estar protegido.

Halembeck Seguros
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